GSRM adquiriu direitos do Campeonato Brasileiro até 2023 no exterior e já transmite
para mais de 80 países por streaming e TV a cabo

Reconhecido como único pentacampeão mundial de futebol, o Brasil fica longe do topo quando o assunto é a internacionalização dos seus campeonatos nacionais. Apesar de ser considerado um dos mais difíceis e disputados do mundo, o Campeonato Brasileiro tem pouca entrada nas transmissões fora das fronteiras do país. Uma tentativa de mudar esse cenário aconteceu este ano, com a compra dos direitos internacionais das séries A e B do Brasileirão até 2023 pela Global Sports Rights Management (GSRM), comandada por Hernán Donnari, ex-executivo da Fox Sports na América Latina.

O acordo fechado com os 40 clubes das duas principais divisões do futebol brasileiro foi fechado em agosto, com o apoio da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), e prevê que a GSRM poderá negociar o campeonato fora do Brasil para transmissões na TV aberta, TV fechada, “streaming”, internet e “pay per view”. O consórcio Zeus Sports Marketing/Stats Perform ficou com os direitos internacionais para casas de apostas.

As cifras envolvidas no acordo com CBF e clubes não são reveladas devido a cláusulas de confidencialidade, mas o Valor apurou que o montante não foi relevante, pois o principal objetivo da CBF e dos clubes no curto prazo é fortalecer a marca do Brasileirão no exterior para, num segundo momento, tentar faturar mais.

Um dos principais trunfos da GSRM está na sua base acionária. A joint venture é formada pela empresa de investimentos 777, com sede nos Estados Unidos; a agência de marketing 1190 Sports, especializada em gerenciamento e direitos esportivos; e a plataforma de “streaming” Fanatiz, que opera em mais de 80 países – desde a assinatura do contrato com a CBF, o Brasileirão já está disponível no streaming de um dos sócios da GSRM.

Nos últimos três meses, outros contratos foram fechados, como o acordo firmado com a Flow Sports no fim de novembro, que vai permitir a transmissão das partidas do fim de novembro, que vai permitir a transmissão das partidas do Brasileirão para 28 territórios do Caribe, tanto pelo streaming quando pela TV a cabo.

Além disso, foi fechada a parceria com a Dugout, empresa digital que pertence aos dez clubes mais ricos do mundo – Milan, Arsenal, Bayern de Munique, Barcelona, Juventus, Chelsea, Liverpool, Manchester City, PSG e Real Madrid. Neste caso, não serão transmitidas partidas, mas cenas mostrando gols e bastidores. 

A GSRM informou ao Valor que sua principal meta nos quatro anos de contrato é “ampliar a visibilidade e o interesse de consumidores de todo o mundo pelo futebol brasileiro”. O retorno financeiro viria não só pela oferta dos jogos, mas também pela exposição dos clubes e de suas marcas no exterior, diz a empresa. 

A América do Sul é vista como uma das regiões com maior potencial de crescimento. “Entre os mercados mais interessantes também podemos falar dos Estados Unidos, do México e Canadá, além do Japão e de um mercado muito desafiador como a China”, diz a GSRM. 

Especialistas ouvidos pelo Valor concordam que a exposição internacional é importante, mas alertam para dificuldades. Para Bruno Maia, especialista em inovação e novos negócios na indústria do esporte, sócio da agência de conteúdo estratégico 14, o contrato ter sido fechado neste ano “demonstra o nível de atraso em que o Brasil está no mercado internacional”. Ele ressalta que a culpa por esse atraso não é da empresa que investiu, mas da própria estrutura do futebol do país. Maia ressalta que a falta de valores expressivos na negociação dos direitos internacionais do Brasileirão é “uma consequência natural do que aconteceu no futebol brasileiro nos últimos anos”. “É importante que os clubes entendam que se essa receita não alavancar, vai fazer muita falta no mundo dos negócios, porque o futebol cada vez mais é globalizado”, diz.

Gustavo Herbetta, fundador e diretor de criação da agência de marketing esportivo LMID, vê o contrato firmado entre GSRM e CBF como um “primeiro passo” fundamental, uma vez que apenas a transmissão de jogos poderá alavancar a globalização dos clubes brasileiros. “É um passo mais do que necessário porque internacionalizar um time de futebol brasileiro requer uma série de frentes e iniciativas, e nenhuma delas funciona se você não tem os seus jogos sendo transmitidos em outro país”, afirma, acrescentando que a CBF fez bem ao aglutinar os 40 clubes das séries A e B na proposta, pois “se dependesse só dos clubes, talvez tivessem uma visão muito individualizada”. 

Para ele, os valores envolvidos não são, atualmente, a parte mais importante do processo. “Os clubes deveriam olhar para isso como a primeira oportunidade encabeçada pela CBF de abrir outro mercado. E sem a transmissão não há milagre que faça um time de futebol ser consumido”, pondera. 

Já Marcelo Palaia, especialista em marketing esportivo e professor da ESPM, acredita que a maior barreira que o futebol brasileiro encontra no exterior é a falta de ídolos globais jogando no país. 

“O atleta, o ídolo, é a essência do esporte. A conexão entre o atleta e o fã é a última fronteira que você pode oferecer como produto. O grande problema para mim, para a internacionalização do futebol brasileiro, é até que ponto o atleta é um grande ativo que o clube tem internacionalmente”, alerta, citando a NBA, liga de basquete profissional dos Estados Unidos, nos últimos 40 anos. “A NBA é globalizada porque os jogadores são ídolos em todo o planeta”, afirma. 

Fonte: https://valor.globo.com/empresas/noticia/2020/12/14/brasileirao-busca-mercado-externo.ghtml


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